top of page

Acordar

  • Foto do escritor: Patrícia Claudine Hoffmann
    Patrícia Claudine Hoffmann
  • 26 de set. de 2023
  • 1 min de leitura

Acordar,

ainda uma vez,

com o ar comprimido

nos pulmões da manhã.

Sem neblina.

A poesia respira

em código

lento.

Tudo tão terreno

a sufocar nas sobras,

nas sombras,

onde o amor descansa de escombros.

Em ferros retorcidos por alguns vestígios

de esperança.

As mãos quebradas

seguram flores

com o pensamento. Ainda.


Costuram lenços acenados

desde aqueles navios esquecidos

de atracar no cerne do exemplo.

Desde aqueles poemas lidos à luz

das lamparinas. E que esquecemos no mar.

Acordar, ainda uma vez...

De onde nunca dormimos.

Acordar de tanto acordar.

Nos séculos.

Perder-se dos cálculos

do que nunca foi destino,

feito os meninos

e as meninas

que se perdem das mães,

nas enchentes,

nas frentes de guerra

e na morte invisível das esperas.

Fixar o olhar

no abrir de mais essa manhã

no mundo.

Compor a massa crítica.

Rebelá-la.

Com a palavra por transtornar

o que esquecemos

em repouso de perdão,

no contraturno ainda

de outra fenda.

E encarar as feras, os vírus, as asfixias...

sob outro ângulo dos dias,

até o fôlego novo

de Gaia.

*

Foto: Meadows. Flickr



Comentários


©2023 por Patrícia Claudine Hoffmann.

bottom of page